quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Em despedida: proibido o pranto

Como esses santos homens que se apagam
   Sussurando aos espíritos. "Que vão...",
Enquanto um dos amigos amargos
   Dizem: "ainda respira"." E outros: não."

Nos desolvamos sem fazer ruído,
   Sem tempestades de ais, sem rios de pranto,
Fora profanção nossa ao ouvido
Dos leigos descerrar todo este encanto.

O terremo traz terro e morte
  E o que ele faz expõe toda esa gente,
Mas a trepidação do firmamento
   Embora ainda maior, é inocente.

O amor desses amantes sublunares
    ( cuja almas é só sentidos) não resiste
Á ausência, que transforma em singulares
   Os elementos em que ele consiste

Mas a nós ( por uma afeição tão alta,
    Que nem sabemos do que seja feita,
Interssegurando o pensamento)
  Mãos, olhos, lábios não nos fazem falta.

As duas almas que são ujma só
   Embora deva ir, não sofrerão
Um rompimento, mas uma expansão,
   Caomo ouro reduzido a aéreo pó

Se são duas,o são similarmente  
   As duas pernas do compasso:
Tua alma é a perna fixa e aparente
   Inércia, mas se move a cada passo

Da outra, e se no centro quieta jaz,
   Quando se distancia aquela,essa
Se inclina atentamente e vai-lhe atrás,
E se indireita quando regressa.


Assim  serás pra mim que pareço
    Como a outra perna obliquamente andar
Tua firmeza faz-me, circular,
    Encontrar meu finalem meu começo.
                                                                            DONNE, john.In.CAMPOS,Augusto de.

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